quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

[do filme - parte 9]

- Vê mais um, por favor. Um cappuccino para esquentar nesse frio é bárbaro, não?

Guilherme sentia uma vontade incrível de conversar com ela, mas não sabia o que falar exatamente. Sentou no banco ao lado do caixa da cantina e conseguiu ver o rosto dela.

- Aham - ela estava sem reação alguma, não sabia o que dizer - eu adoro cappuccino. É realmente, é, é bem bárbaro.

Sentia que suas bochechas ficavam um pouco mais vermelhas e xingava suas maçãs do rosto com o pensamento. A sua sorte era que elas já ficavam mais avermelhadas no inverno. Revezava seu olhar para ele, nos olhos dele, no chão, na máquina que parecia demorar anos para fazer café, para o açúcar em cima da mesa.

Ele também não sabia exatamente o que fazer, normalmente, as conversas com os alunos saiam tão normais, mas com ela, ele media um pouco as palavras e buscava-as na cabeça enquanto analisava o sorriso bonito e simpático que ela ainda sustentava com aquelas bochechas avermelhadas.

- Você pode colocar um pouco de conhaque no cappuccino... Nossa! Fica uma delícia. Você vai ficar a aula inteira olhando assim... - fez uma careta que não sabia por que tinha feito.

Ela não respondeu nada em palavras, mas deu uma risada. Ela também ria, ria muito, como as outras, mas de algum modo estranho, era bem diferente. Parecia que saia de um lugar mais fundo e era aconchegante, não saia apenas pela boca com um som feio que as cordas vocais proporcionavam. Ela ria bonito mostrando todos aqueles dentes que pareciam felizes por aparecer para Guilherme.

- Bom, vou experimentar. Tenho aula com você amanhã e te digo se gostei.

O vento fraco e gelado que agora entrava pela porta parecia não ter nenhum efeito nela, mas ela ainda sentia um frio, mas era um frio na barriga, um frio bom. Sentia calor ao mesmo tempo. Será que ela havia almoçado borboletas e não se lembrava?

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